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Virei psicóloga por curiosidade!

Narayana Salles Franco · 19 de ago. de 2026 · 2 min de leitura

Durante a graduação, de tempos em tempos, um professor perguntava: "Por que vocês se tornaram psicólogos?" E a sala ia respondendo, um por um. Era quase unânime: "Virei psicólogo porque queria ajudar as pessoas." Eu não. Óbvio que também queria ajudar, mas, se fosse somente isso, eu poderia ter me tornado tantas coisas, muitas delas que parecem até mais urgentes em situações de emergência, onde alguém genuinamente precisa de ajuda. Mas eu era curiosa e sempre gostei de gente. Queria entender os "porquês" e os "pra quês" de cada um, queria saber a história completa, a versão longa, queria observar cada detalhe de uma criança brincando e, com toda a ludicidade que o atendimento infantil permite, queria entendê-la também, acreditando que a linguagem é muito mais do que palavras ditas. Consequentemente, descobri que nem sempre essa curiosidade seria sanada. Descobri que, dos pequenos aos mais velhos, as pessoas são livros de infinitas páginas e incontáveis nuances. Aprendi a sentar na plateia e absorver cada pequena informação que aquela pessoa decidiu me permitir conhecer: detalhes de suas vidas que, muitas vezes, nunca disseram para ninguém. E me sinto grata por cada um desses momentos. No decorrer da minha carreira, fui descobrindo que virei psicóloga porque acredito no ser humano e, contrariando as expectativas desse mundo contemporâneo, gosto dele. Defendo o direito de todos serem ouvidos e respeitados. Espero que cada atendimento seja um encontro, não apenas entre profissional e paciente, mas também entre duas pessoas, onde haja genuína empatia. Se um dia virei psicóloga por curiosidade, hoje permaneço por afeto.

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